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  • 07/07/2009

    07/07/2009 - Mitos da gagueira refletem desinformação sobre o problema

    A população em geral dispõe de pouco conhecimento sobre o problema da disfluência, comumente conhecido como ?gagueira?. Desta forma, a pessoa que gagueja acaba sofrendo preconceito na hora de buscar uma colocação profissional, em uma entrevista de emprego, no ambiente de trabalho ou em seu ambiente de convívio familiar e social. 

    ?O gago sempre é motivo de piada e brincadeiras e, muitas vezes, não é levado a sério, devido à sua dificuldade de fala?, explica Érica Ferraz, fonoaudióloga do Grupo Microsom, uma das mais conceituadas empresas de soluções auditivas e a única a oferecer um produto para tratamento da gagueira, o SpeechEasy.

    A fonoaudióloga responde algumas dúvidas comuns sobre o tema, ensina a conviver com os portadores de disfluência e apresenta formas de amenizar este problema.


    - A gagueira é contagiosa ou pode-se ficar gago ao conviver com uma pessoa que têm este distúrbio da fala?

    Não, a gagueira não é contagiosa e não ?pega?. Portanto, não é transmitida pelo convívio com pessoas que gaguejam. Ninguém deve ter receio de conversar ou interagir com pessoas que gaguejam.

    Os estudos científicos mostram que a gagueira tem um caráter genético. Desta forma, nos casos de herança genética, pessoas da mesma família, de diferentes gerações, podem manifestar gagueira.

    - A disfluência tem cura? Quais são os tipos de tratamento?

    Por enquanto, não há cura para a gagueira, no sentido de eliminar o caráter genético e/ou orgânico envolvido. O que existem são diferentes linhas de tratamento para a promoção da fluência, de forma a reduzir os sintomas, que são repetições, prolongamentos, pausas, bloqueios e outros problemas ao falar. Por ser um distúrbio de fala, o tratamento mais adequado para a gagueira é o fonoaudiológico. 

    Atualmente, a tecnologia é uma grande aliada no tratamento de algumas pessoas que gaguejam. Alguns aparelhos têm mostrado excelentes resultados na promoção de fluência da fala. 

    No Brasil, o SpeechEasy está sendo comercializado desde 2008. Ele age no cérebro desencadeando o efeito coro, um fenômeno natural que reduz a gagueira. É uma opção de tratamento importante, uma vez que pode ser de grande auxílio em situações agravantes para aqueles que gaguejam, como reuniões e apresentações em público. O SpeechEasy já é comercializado em diversos países do mundo e os resultados positivos estão sendo relatados por meio de diversos estudos. Aqui, no Brasil, algumas pesquisas já estão sendo realizadas com este recurso e deverão ter seus resultados divulgados em breve.

    O SpeechEasy é um tratamento possível, que une tecnologia avançada e conforto para a pessoa que gagueja, mas deve ser utilizado em combinação com tratamento fonoaudiológico especializado para que seu benefício seja otimizado.

    - O aparelho usado para a gagueira é inserido na garganta ou na orelha?

    O SpeechEasy é um dispositivo portátil, usado na orelha e confeccionado de forma personalizada para cada usuário. O objetivo dele é reproduzir o efeito coro, por isso é utilizado no orelha.

    - O que é o efeito coro?

    O efeito coro é um fenômeno natural e tema de muitas pesquisas há décadas. Ele ocorre quando uma pessoa que gagueja fala ou lê ao mesmo tempo em que outra pessoa, reduzindo a gagueira. O SpeechEasy, por fazer a voz do usuário alcançar o cérebro com um ligeiro atraso e com um tom diferente, fornece a sensação da pessoa estar falando ao mesmo tempo em que outro indivíduo, desencadeando o efeito coro, que reduz a gagueira.

    - Como uma pessoa normal deve lidar com um gago?

    As pessoas devem encorajar a pessoa que gagueja a falar, dando atenção e demonstrando interesse em conversar com ela. Não se deve pedir para a pessoa ter calma, pensar, respirar e falar devagar. Além disso, deve-se esperar que a pessoa que gagueja termine de falar, sem completar a fala dela, o que muitas vezes acontece de forma equivocada.

    - A partir de que idade pode se detectar/diagnosticar o distúrbio?

    A fala se desenvolve principalmente nos três primeiros anos de vida. Entre os 2 e os 6 anos, é comum que a criança apresente dificuldade em falar algumas palavras ou alguns sons mais difíceis. Neste período de aquisição de linguagem, a criança pode gaguejar, por estar em plena fase de aprendizagem da língua e por ainda não ter certeza de como pronunciar determinados sons. Nesses casos, pode haver a remissão espontânea da gagueira, quando o processo de aprendizagem se completa. Porém, a gagueira pode evoluir e se manifestar de diversas formas e intensidades entre as pessoas e em diferentes períodos da vida de uma mesma pessoa. A gagueira costuma oscilar entre períodos de maior ou menor fluência. Caso a gagueira comece a ficar mais frequente, recomenda-se avaliação e tratamento ou acompanhamento fonoaudiológico. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhores poderão ser os benefícios da terapia.

    - Quais são os problemas que os gagos enfrentam no dia-a-dia?

    A gagueira é um distúrbio de fala que é facilmente notado. Como estamos em uma sociedade em que a fala fluente é importante e comumente associada à inteligência, competência e domínio em relação a um determinado assunto, uma pessoa disfluente pode ser vista como ansiosa, incompetente e até mesmo com problemas emocionais. Aliás, a maior parte das pessoas acredita que a origem da gagueira é apenas emocional, sendo que, na verdade, é uma associação de fatores genéticos, sociais e psicológicos. 

    A pessoa que gagueja muitas vezes é prejudicada em uma entrevista para um emprego, por exemplo. Falar ao telefone é outra situação em que o indivíduo que gagueja encontra, geralmente, grandes dificuldades. Esses problemas, associados às crenças equivocadas sobre a origem da gagueira e o preconceito contra as pessoas que gaguejam, podem provocar isolamento e outros problemas sociais a esses indivíduos.

    É comum as pessoas não terem paciência para escutar o que a pessoa que gagueja tem a dizer, interferindo na sua fala ou até mesmo completando o que acredita-se que o disfluente iria falar. Muitas pessoas que gaguejam relatam histórias em que aceitaram alguma coisa que não desejavam apenas para não estenderem a situação desconfortável. Por exemplo, podemos citar um paciente no restaurante que, ao tentar pedir um prato de sua preferência, viu-se diante de uma situação em que sua dificuldade de fala gerou impaciência nas pessoas da mesa e no garçom que anotava o pedido. Ele acabou apenas dizendo ?o mesmo?, referindo-se ao pedido de outra pessoa, que nada tinha a ver com o que ele realmente desejava jantar e terminou a noite insatisfeito.

    Grande parte das pessoas que gaguejam se queixa, portanto, de ter sua disfluência associada a aspectos de sua capacidade intelectual e profissional. Algumas delas referem a não conseguir acompanhar o curso de faculdade, arrumar um trabalho ou até mesmo namorar em consequência da sua disfluência. Por esses motivos, a pessoa que gagueja muitas vezes pode apresentar baixa auto-estima e grande sofrimento interno.

    Em se tratando de um distúrbio que não afeta a inteligência nem outras habilidades do indivíduo, a gagueira não deve impedir que a pessoa que gagueja trabalhe, estude e seja bem sucedida profissional e pessoalmente.

    Por outro lado, algumas pessoas que gaguejam encaram a sua disfluência de outra forma e acabam por ?usá-la? a seu favor no seu grupo de amigos ou com a família, tornando-se o centro das atenções, por meio de brincadeiras e piadas. A forma como a gagueira interfere na vida social do indivíduo depende muito de como é a personalidade do mesmo e de sua relação com as pessoas.

    Gagos Famosos: Armandinho (cantor) Aristóteles, Bruce Willis, Rei Carlos I, Charles Darwin, Demóstenes, Isaac Newton, José Saramago, Julia Roberts, Lewis Carrol, Rei Luís II, Marylin Monroe, Moisés, Murilo Benício, Imperador Napoleão o Primeiro, Nelson Gonçalves, Robert Boyle, Scatman John, Theodore Roosevelt, Virgílio.

    De acordo com o IBGE, a população brasileira é de 192 milhões de pessoas. Segundo o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), a incidência da gagueira no Brasil é de 5%, ou seja, 9,5 milhões de brasileiros estão passando por um período de gagueira neste momento. Este número é maior do que a população da cidade do Rio de Janeiro. A prevalência da gagueira é de 1%, ou seja, 1,9 milhão de brasileiros gaguejam há muitos anos de forma persistente, crônica. Este número é maior do que a população de Manaus ou Curitiba.

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