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  • 15/07/2009

    SINAIS E SINTOMAS DA DESORDEM DO PROCESSAMENTO AUDITIVO

    Existem indivíduos que possuem a queixa de não ouvir bem mas possuindo a audição normal. Isto pode ocorrer devido a dificuldades no processamento auditivo da informação , Há muitos sinais e sintomas da Desordem do Processamento Auditivo que muitas vezes se assemelham a outras desordens. O objetivo desse artigo é elucidar basicamente as questões que concernem à área. 
    Palavras-chave: processamento auditivo, habilidades auditivas, problemas de aprendizagem.

    A AUDIÇÃO
    A audição é um dos cinco sentidos humanos. É a capacidade de reconhecer o som emitido pelo ambiente. O órgão responsável pela audição é o ouvido, capaz de captar sons até uma determinada distância A habilidade de ouvir possui dois sistemas, o periférico e o central. 
    Na avaliação da audição vários testes podem fazer parte do protocolo audiológico, dentre eles estão: 
     Audiometria: Exame que mede o nível de audição por intensidade e freqüência, ou seja, é o teste que quantifica a audição do indivíduo, podendo ou não acusar a presença de perda auditiva em diferentes graus e tipos.
     Imitânciometria: É o exame que verifica as condições da orelha média, (sistema tímpano-ossicular), e da via do reflexo do estapédico. 
     Emissões Otoacústicas: Avalia a resposta das células ciliadas externas localizadas na cóclea. São sons de baixíssima intensidade que resultam do mecanismo ativo de recepção do som pela cóclea no qual as células ciliadas externas desempenham o papel principal. 
     Potenciais Auditivos Evocados: São potenciais elétricos que surgem através de um estímulo acústico (geralmente click fornecido através de fones) e que refletem a atividade do sistema auditivo. Estes potencias podem ser de curta, média ou longa latência dependendo do tempo que a onda leva para ser captada. Quanto mais distante o sítio gerador, maior é o tempo de latência da onda que representa o potencial. Os mais utilizados são o de curta latência (Bera ou Paete) e de longa latência (P300).
     Avaliação do Processamento auditivo: Permite verificar o desempenho das habilidades auditivas através de avaliação comportamental. 
    CONHECENDO O PROCESSAMENTO AUDITIVO

    Definição 
    Segundo o relatório técnico da ASHA 2005, processamento auditivo (PA) refere-se à eficiência e eficácia que o sistema auditivo nervoso central utiliza a informação auditiva, inclui os mecanismos auditivos que seguem as seguintes habilidades:
     localização e lateralizacão; 
     discriminação auditiva; 
     reconhecimento do padrão auditivo; 
     aspectos temporais da audição, incluindo:
     integração temporal
     discriminação temporal (intervalo de detecção temporal)
     ordenação temporal
     marcaramento temporal
     performance auditiva com sinais competitivos (incluindo a escuta dicótica);
     performance auditiva com sinais acústicos degradados.

    Pode-se dizer que processamento auditivo é “aquilo que fazemos com o que ouvimos”.
    Os processos neurocognitivos estão envolvidos. A memória, atenção e linguagem são integrantes no processo de análise na entrada da informação pelo canal auditivo. 
    A dificuldade em um ou mais níveis das habilidades auditivas é possível de ser classificada como uma dificuldade ou desordem do processamento auditivo (DPA)
    A DPA pode estar ligada ou associada com as dificuldades em linguagem, aprendizado, e funções de comunicação, embora a DPA possa coexistir com outras desordens (por exemplo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade [TDAH] e dificuldades de leitura), mas não pode ser colocada como o fator resultante destas.
    As causas que levam a uma DPA podem ser variadas, não podendo ser especificadas, (na maioria), podem compreender desde ordem genética até de desenvolvimento, dentre outras possíveis.


    Alguns sinais e os sintomas

    Os sintomas de DPA podem variar e ter diferentes formas de manifestação. Confira se você ou alguém que conheça apresenta alguns desses Sinais e Sintomas:

     Parece não ouvir bem?
     É muito distraída ou desatenta?
     Demora em escutar e/ ou entender quando chamada sua atenção?
     Fala muito “Hã?”, “O que?”, ou “Não entendi!”?
     Possui dificuldade para lembrar o que foi dito ou parece ter problemas de memória?
     Tem fala diferente de outras crianças da mesma idade?
     Tem dificuldades para ler ou escrever ou outras dificuldades escolares?
     Tem dificuldade para entender o que está sendo falado quando em ambientes ruidosos ou em grupos?
     Não consegue acompanhar uma conversa com muitas pessoas falando ao mesmo tempo?
     Há cansaço ou atenção curta para sons em geral?
     Deixa o volume da televisão muito alto?
     Apresenta dificuldade de localizar o som?
     Apresenta dificuldades em seguir orientações?
     Tem dificuldade em contar um fato ou história?
     Tem dificuldades para transmitir um recado?
     Possui dificuldade em seguir uma seqüência de tarefas que lhe foi falada?
     Tem dificuldades em entender piadas ou duplo sentido?
     Os problemas de matemática são difíceis de interpretar?
     A informação abstrata é difícil de compreender?
    Estes, assim como outros comportamentos, podem ser sinais de uma dificuldade no processamento auditivo da informação. Cabe retomar que muitos dos comportamentos notados acima podem também aparecer em outras condições tais como dificuldades de aprendizagem, Transtorno do déficit de atenção e Hiperatividade (TDAH), níveis de depressão, dentre outros.

    O diagnóstico e avaliação 


    Através de uma equipe multidisciplinar o indivíduo será avaliado e conduzido a um diagnóstico e /ou a uma conduta médica e planejamento terapêutico. 
    A abordagem da multidisciplinar permite coletar informações no nível educacional, social, de fala/ linguagem, cognitivo e fisiológico.
    Essa equipe é composta, em geral, por neurologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, audiologistas, fonoterapeutas, psicólogos, pedagogos e profissionais da educação.
    A avaliação específica do processamento auditivo é realizada por um fonoaudiólogo da área audiológica. 
    A testagem é realizada em cabine acústica, onde o indivíduo é colocado com fones auriculares através dos quais são aplicados testes gravados em CD e padronizados por faixa etária. 
    Para realização da avaliação do PA é necessário apresentar a audiometria realizada no mínimo em um prazo igual ou inferior a três meses, a criança apresentar idade mínima de 06 anos, nível de linguagem expressivo e receptivo, atenção e cognição suficientes para que possa compreender as tarefas, não apresentar perda auditiva assimétrica, a média tonal ser até 40dBNA, índice padrão de reconhecimento de fala de no mínimo 70% e índice entre as orelhas não ultrapassar 20%.
    Na avaliação são realizados testes de escuta diótica onde estímulos iguais são apresentados simultaneamente para ambas as orelhas, de escuta monótica onde estímulos diferentes são apresentados simultaneamente na mesma orelha, ipsilateralmente; e escuta dicótica onde estímulos diferentes são apresentados simultaneamente para ambas as orelhas.
    Entre os testes realizados estão:

     Localização Sonora; Teste que permite verificar a localização (percepção da origem da fonte sonora) em cinco direções (direita, esquerda, atrás, acima e à frente).

     Fala Filtrada: Este teste permite verificar a habilidade de fechamento auditivo (percepção da mensagem quando parte dela é omitida)

     PSI em português: Os estímulos verbais utilizados na aplicação do PSI são 10 frases ou palavras que devem ser identificadas através da indicação das figuras que representam à situação da sentença ou palavra. A mensagem competitiva é uma história infantil ou ruído white noise.

     SSI: Este teste é realizado com leitura e identificação não verbal da frase. Permite verificar a habilidade de fechamento auditivo e figura fundo associado à identificação visual. São testadas duas condições MCI (duas estimulações distintas na mesma orelha) e MCC (duas estimulações distintas uma em cada orelha)

     PPS E DPS: Estes testes permitem verificar as habilidades de resolução temporal, para identificação de freqüência e duração sonora. São testadas duas condições a de imitação (hemisfério direito) e nomeação (hemisfério esquerdo). 

     Dicótico de dígitos e SSW: Estes testes permitem investigação da condição dicótica da informação. Habilidade de figura-fundo (identificação de um som na coexistência de outro, competitivo), Memória seqüencial (habilidade em estocar e recuperar estímulos na ordem em que foram apresentados). São constituídos por pares de dígitos e palavras, sendo que estes representam dissílabos na língua portuguesa. Avaliam a habilidade para agrupar componentes do sinal acústico em figura-fundo e identificá-los, e a comunicação inter-hemisférica no corpo caloso.



    O RESULTADO
    Após a testagem é emitido um relatório que constam os resultados obtidos; as habilidades preservadas e as com desempenho abaixo do esperado para idade, o impacto efetivo das mesmas na vida do indivíduo nos níveis social, acadêmico e familiar, possível local da disfunção no sistema nervoso auditivo central, o direcionamento da reabilitação (no caso de indicação terapêutica) sugerindo um programa e as orientações pertinentes ao caso. 
    O processo de avaliação e de reabilitação deve envolver a equipe multidisciplinar na visão de que esse sujeito possui suas necessidades, possibilidades e sucessos.

    CONCLUSÃO
    A área de processamento auditivo é alvo de muitas pesquisas, debates e o interesse na mesma aumentou consideravelmente nos últimos anos. A bateria de avaliação deve no mínimo envolver todas as habilidades e considerações multidisciplinares. Para tal exige consenso entre as áreas buscando minimizar o impacto das dificuldades processuais e maximizar o desempenho das habilidades presentes. 

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    AMERICAN SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION – Central auditory processing: current status of research and implication clinical practice. A report from the ASHA task-force in central processing. 2005
    AMERICAN SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION – (Central) auditory processing disorders. Technical Report 2005
    BELLIS, T.J. – Assessment and management central auditory processing disorders. San Diego, Singular Publishing Group, 1996
    CHERMAK, G.D. & MUSIEK, F.E. – Central auditory processing disorders. San Diego, Singular Publishing Group, 1997
    DSM IV – Manual diagnóstico e estatística de transtornos mentais, 4 ed. – JORGE, M.R. et al., Porto Alegre, Artes Médicas, 1995.
    FERRE, J.M. – Processing power: a guide to CAPD assessment and management. Texas, Communication Skill Builders, 1997
    BELLIS,T.J. – Assessment and Management of Central Auditory Processing Disorders in the Educational Setting From Science to Practice. Thomson Delmar Learning, 2003
    ZORZI,J.L. – Aprendizagem e Distúrbios da Linguagem escrita – questões clínicas e educacionais. Porto Alegre, Artmed, 2003
    PINHEIRO, M.L. & MUSIEK, F.E. – Special considerations in central auditory evaluation. IN: Assessment of central auditory dysfunction: foundations and clinical correlates. Williams & Wilkins, 1958
    PEREIRA, L. D. ; SCHOCHAT, E.- Processamento Auditivo Central- Manual de Avaliação. São Paulo: Lovise, 1997



    Giselle Kubrusly Sypczuk
    Fonoaudióloga

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