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  • 06/08/2009

    TESTE DA ORELHINHA É ESSENCIAL A TODOS OS RECÉM-NASCIDOS

    Exame identifica problemas auditivos ainda no início e deve ser feito até os 6 meses de idade

    A partir do quinto mês de gestação, o bebê já consegue identificar sons produzidos pela mãe no ambiente em que ela está. A audição é um dos sentidos mais rapidamente desenvolvidos pela criança e um dos mais importantes porque está diretamente ligado à fala. É ainda na barriga da mãe que se inicia o próprio processo de identificação dos sons e da linguagem. Um teste muito simples, rápido e indolor, realizado geralmente 24 horas após o nascimento, permite que sejam identificados problemas na audição de recém-nascidos. É o chamado Teste da Orelhinha, que junto com o Teste do Pezinho, é indispensável ao bebê.
    De acordo com o médico otorrinolaringologista Lucio Eldy Takemoto, o exame consiste na introdução de uma sonda na orelha da criança que emite sons de baixa intensidade e registra os dados em um computador. “Ele deve ser realizado enquanto a criança está dormindo e é tão pouco invasivo que o bebê geralmente nem acorda durante o procedimento”, explica o médico. “Mas não basta apenas realizar o teste. É preciso observar o comportamento da criança em relação aos sons a que ela é exposta porque pode acontecer de o exame apontar um problema, mas que semanas depois ele não seja mais encontrado.”
    Estatísticas indicam que em cada 1 mil recém-nascidos, três apresentam algum tipo de deficiência auditiva. A incidência da surdez em bebês é maior que a de outras doenças que podem ser diagnosticadas imediatamente após o nascimento. “Todos os bebês que nascem na Maternidade Municipal passam pelo exame. Mas às vezes, por causa de transferências precoces, algumas crianças não fazem o exame”, explica a fonoaudióloga Letícia Werner Fávaro, também coordenadora do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES). “Outro fator que às vezes leva à não-realização do exame é que alguns recém-nascidos apresentam uma secreção no canal auditivo e só podem passar pelo exame depois de algumas semanas. Mas algumas mães não retornam.” 
    De acordo com Letícia, o ideal é que o exame seja realizado até os seis meses de idade e, caso seja identificada a surdez, o uso de aparelho e o acompanhamento de um fonoaudiólogo deve ser iniciado imediatamente para que as células do ouvido sejam estimuladas e a criança possa desenvolver as habilidades auditivas e orais mais facilmente. “Todos têm o direito a um aparelho custeado pelo SUS [Sistema Único de Saúde] bem como ao acompanhamento fonoaudiológico”, destaca Letícia. “O exame não é realizado apenas uma vez. As mães são aconselhadas a voltarem mais vezes para que o problema de surdez realmente seja identificado e, geralmente, cerca de um mês depois de várias repetições é que algum tipo de deficiência realmente pode ser confirmado. Mas tudo isso depende que a mãe não deixe de lado essa atenção com o recém-nascido e faça o teste o quanto antes.”
    Serviço: o médico Lucio Eldy Takemoto e a fonoaudióloga Letícia Werner Fávaro atendem no ILES: 3325-7054.
    Tratamento da surdez deve ser iniciado o quanto antes
    A fonoaudióloga Letícia Werner Fávaro destaca que é muito comum os pais sentirem vergonha quando identificado algum grau de surdez no filho. Por isso, o ILES disponibiliza além do atendimento médico e fonoaudiológico, o atendimento psicológico e de assistência social à família. “É comum os pais se sentirem culpados e envergonhados e por isso não procurarem ajuda”, aponta Letícia.
    Mas não foi a vergonha que impediu Patrícia Cabral Lima de procurar tratamento para a filha, diagnosticada com surdez severa profunda com um ano de idade. O Teste da Orelhinha não foi realizado na menina logo após o nascimento e a surdez foi diagnosticada em sessões de fisioterapia em razão da demora para começar a andar. “Eu nem imaginava que ela poderia ter algum problema de surdez. Foi na fisioterapia que eu realizava com ela na Apae [Associação de Pais e Amigos de Excepcionais] que foi feito o exame e constataram que ela não ouvia”, conta Patrícia. “No início, toda a família ficou muito baqueada porque ninguém esperava por isso. Mas procuramos ajuda no ILES o quanto antes.”
    Em tratamento desde fevereiro de 2008, a menina, hoje com 3 anos, responde bem aos estímulos diários que recebe no local e embora o grau de surdez impeça a audição mesmo que parcialmente, ela se relaciona normalmente com o irmão de 8 anos e com outras crianças. “Ela inclusive assiste TV sem problemas e já se comunica bem por meio da linguagem de Libras”, afirma a mãe, que também se dedicou a estudar a linguagem de sinais. “É difícil, mas é preciso ter paciência. Às vezes, eu vejo algumas mães que não têm paciência com os filhos deficientes. Mas é preciso ter. As pessoas deveriam buscar aprender Libras e não apenas quando se deparam com o problema porque, com isso, o relacionamento do mundo deles com o nosso, e vice-versa, seria bem mais fácil.”
    É preciso incentivar uso do aparelho
    A fonoaudióloga Valéria Matias realiza diariamente sessões de estímulo com crianças que apresentam algum grau de surdez e afirma que além da necessidade de intensificar os cuidados com a criança portadora de surdez, a não aceitação dos pais e a vergonha da criança em usar o aparelho não devem existir. “Não tem que ter vergonha. Todos nós podemos desenvolver algum grau de surdez ou termos um filho com essa deficiência. Devemos encorajar a criança a cuidar do aparelho e a utilizá-lo como um utensílio a mais do corpo, colando figurinhas, pintando-o ou até mesmo deixando-o à mostra”, recomenda Valéria. “Além disso, a mãe pode realizar vários exercícios com os filhos, como a leitura labial, por exemplo, mas sempre se dirigindo ao filho na altura dele e sempre com a atenção voltada para o seu rosto.”(L.B.)
    Surdez pode ter origem genética
    De acordo com dados colhidos pela fonoaudióloga Letícia Werner Fávaro, em 2008 foram registrados 3.635 nascimentos na Maternidade Municipal de Londrina, sendo que dez crianças vieram a falecer. Das outras 3.625 crianças, 355 deixaram a maternidade sem realizar o Teste da Orelhinha. Os aprovados no teste somam 1.874 recém-nascidos e 1.303 bebês tiveram de voltar para refazer o exame. Destes, 14 apresentaram algum tipo de desordem e precisaram passar por avaliações complementares e quatro crianças foram diagnosticadas como portadoras de deficiência auditiva. “Fazemos sempre uma entrevista com as mães das crianças em que foram diagnosticados problemas porque algumas doenças ou o uso de drogas durante a gravidez, por exemplo, podem ser causadores da surdez. Por isso, recomendamos que essas crianças passem por acompanhamento médico por até dois anos”, explica Letícia. 
    De acordo com o otorrinolaringologista Lucio Eldy Takemoto, entre as doenças que podem influenciar a saúde auditiva do feto estão a sífilis, a toxoplasmose, a rubéola, a presença do vírus HIV, a desnutrição, o uso de drogas e a hereditariedade. “Mas não dá para afirmar que a genética é exclusivamente causadora da surdez porque existem casos de mães deficientes auditivas com filhos sem o problema”, destaca o médico. 
    ILES é centro de referência no País
    O Instituto Londrinense de Educação de Surdos é referência no tratamento de casos de alta complexidade de doenças auditivas, não apenas no Paraná, como em todo o Brasil e comemora no próximo mês 50 anos de existência. Caracterizada como uma entidade filantrópica, o ILES funciona com o apoio do poder público e privado e oferece atendimento e educação escolar a pacientes do SUS e de alguns convênios.
    Em comemoração ao Jubileu de Ouro do instituto, estão programadas uma série de atividades, entre elas uma exposição de quadros, o lançamento de um cartão telefônico comemorativo, um jantar e apresentações culturais no Teatro Ouro Verde, na noite do dia 16 de agosto. Mais informações pelo telefone 3325-7054.

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